É nóis, maluco

Olha, eu não sei como você caiu aqui. Mas já que tá, não custa um comentário p'ra deixa pegada forte na opinião do baguio. Suave!
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quarta-feira, 27 de maio de 2009

De cima ou de baixo, os desertos são iguais. Inspiração furtada


Antes, por Amanda:

Dali de cima é uma beleza só.
O tempo derretendo não tem contorno triste.
Que o deserto preencha.

Dali, de cima.
É uma beleza só o tempo derretendo. Não tem contorno triste que o deserto preencha.


Agora (que já vai se tornar antes), pelo Zé:

Daqui de baixo é uma feiura amparada.
O tempo endurecendo com contorno triste.
Que o deserto esvazia.

Daqui, de baixo.
É uma feiura amparada o tempo endurecendo. Com contorno triste que deserto esvazia.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Vai, menino


No caminho do trabalho, avistei um menino correndo em uma das vielas da favela. Ele estava com uma camisa do Corinthians antiga. No lugar do número e nome do jogador, um papel sobreposto, colado com sei lá o que, onde se via: RONALDO, 9.



Vai, menino
Estende os braços e voa na viela de sujeira velha
Faz dos tijolos irregulares sustento para a superação

Vai, menino
Rasga a camiseta maltrapilha e abre o peito p'ra vida
Dá razante no corredor injusto

Vai, menino
Solta seus sonhos de Ronaldos
Faz gol de cobertura na indiferença

Vai, menino
Voa como a pipa
Rabiola livre no vento inconstante


Vai, menino
Faz de conta que os os soldados mal encarados são bonecos
E a arma em punho serve para guerrinha de água

Vai, menino
Concentra e deixa a fome de lado (finge que ela não existe)
Mostra que os pés descalços é opção

Vai, menino
Mas não morre aí!
Aí, não!
Aí, não!

Este chão de esgoto aberto é pouco e pequeno
Mundo estreito
Demais
P'ra ti, menino

sábado, 9 de maio de 2009

Baal


Um novo Baal habita meu mundo
Um Baal depois da morte, depois da compreenssão da trajetória
Um Baal de poesias de cores
De bebedeiras lúdicas e sexo com cheiro

Um novo Baal me conta histórias
História de Florestas e Fogo
De risos de doer o abdomem
Um Baal de beijos e sangue

Um novo Baal contamina meu espírito
Lambe minha culpa
Me faz herói de suas bebedeiras
Aguardente na noite mais fria do ano




* O escrito nasce depois que assisti Baal, de Bertold Brecht. O espetáculo é conclusão da Oficina de Montagem realizado pela Cia Club Noir e está em cartaz na sede da Cia localizada na Rua Augusta, 331 - SP.
A direção é de Roberto Alvim.

Sexta-Feira, às 21h. Até o final de Junho.
Entrada Franca.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Navegar é preciso


Viajante solitário caminha sobre nuvens carregadas
mochila com passantes verdes, sonhos de soldado
tablado de aquarelas, cores tons de roxo
arco íris embriagado
chão deslizante de anjos

Colher de chá
pano de pó
perdidos no mato
ela, linda, passa perfume

O viajante receptor de raios, relâmpagos, procura por coxas, costas, bocas
ela acende seu cachimbo
O viajante canta
ela toca sua harpa
o viajante nada no horizonte
ela, sereia do mar de ouro

E no principio era o verdo se

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Oração à Santa Catarina*. Uma resposta solidária ao post anterior


Santa Catarina, cedei-nos guarda-chuvas, pois desse aguaceiro não mais beberei
Livrai-nos da pena que evoca solidário canto
Desterra, descerra
Vomite braços, tijolos
Humanas panacéias

Tentáculos nascerão das profundezas
Onde agora foi
água
água
água

Firmamento, sopro de vento
Lamento
Saudades. Vaga lembrança

Se faça todo ouvidos, corpo inteiro ao choro das profundezas
Serenai nossos destinos:
Abrigo e pão
água
água
água
* Autoria de Zé e MCD

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Olhos fechados


E como se tudo o que visse pela frente fossem luzes, fechou os olhos e passou a escutar o mundo.

Ouviu a música do silêncio
O canto dos bêbados


Ouviu o sonho do idealista
A boemia dos que procuram

Ouviu a fé vagando em templos
a confissão do padre

Ouviu contos infantis
lendas de gente antiga

Ouviu a mídia falando em morte
o estampido da polícia


Ouviu o apito do navio
gente indo embora p'ruma terra distante

E aí, ouviu marinheiros cantando
o riso das putas

Ouviu o ouro do tesouro do pirata
Ouviu seu conselheiro papagaio
ouviu do sábio velho monge budista: a terra destino pode não ter a felicidade,

mas a graça tava na viagem

domingo, 23 de novembro de 2008

Salada mista


Salada de Fruta
A mistura das coisas
Cores, cheiros, texturas, paladares
Caldos

Sonhos que se misturam
tanto que perde bússula
Sentido
Objetivo
Realidade

Os anos 70 já era
Os 80 deixa saudades
Os 90 passou em branco
O 2000 está completando uma década e não tem nenhuma odisséia no espaço.

O som de tudo
do vazio
do silêncio
da vibração de mundos antes não explorados

Revelação, Anjo, Apolcalipse, Fim-do-mundo
ascensão dos que crê
queda dos pecadores


e eu no meio de tudo isso!



segunda-feira, 3 de novembro de 2008


Já na sala de cirurgia, dopado pelo nervosísmo, ele ouve:

ANESTESIA

Uma picada.

Cavucam a sua cabeça. Tesoura, pé-de-cabra, serrote, serra-elétrica.

Barulho de motor, de risada, de liquido vertendo, de metais que se chocam, de solução.

Trocaram a sua cabeça por uma cabeça que não pensa.

Não que ele pensasse demais... Queria apenas saber se seus ombros suportariam o mundo. Queria ser o vivo Drumond.


Acordou.

Passaram-se anos e ele ainda sofre.

Mas sem saber.