constatou que na estrada a paisagem é bonita às vezes. só às vezes.
na maior parte do caminho cruza vielas, chão de terra batido. chão aterrado com lata de cerveja amassada, saquinho de leite do mês passado, bitucas de cigarro. ele vê um céu atravessado por fios de gambiarra. olha pra frente e avista casas irregulares com paredes descascando. cinza e mofo.
o cheiro do transporte é suor coletivo. as vozes cansadas e conformadas no agudo.
aí, ele coloca um fone no ouvido. a música francesa e tudo se transforma. a miséria vira clipe. as pessoas tomam classe e seus passos ficam lentos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Vai lê e não comentá nada? Pó pará!