domingo, 29 de junho de 2014

fechou os olhos. desceu as pálpebras com muita força e evocou a entidade 3 vezes
o silêncio se fez
nada
vazio

"minha confissão não vem carregada de culpa."

lentamente
no compasso de uma respiração
abriu os olhos e
estava mais negro que nunca
oco

dirigiu-se ao nada
em pensamentos que eram mais concretos que a fala

"me construí um ser humano pior"

"maltrato meu corpo minha cabeça noite anoite
coração pulmão fígado cérebro
língua
ouvidos"

"gasto joelhos e pés
carne e ossos e facas
em lugares longínquos
no mesmo círculo de idiotices"

"ODEIO O/"

e foi interrompido pela luz
e fez-se a luz
intensa e quente

viu em suas mãos
um revólver
desses de pequeno porte

(estava lá
carinhosamente entrelaçado em seus dedos
de unhas compridas e sujas )

ouviu a voz
que era mais concreta
mais tenebrosa que seus pensamentos:
FAÇA

paralisou estancou quis gritar e não pôde
olhos arregalados!

ouvia seu coração
o fluxo do sangue quente e veloz
como jamais tinha sentido
a cabeça
ah, a cabeça
pensou tanto
tanta coisa ao mesmo tempo
que teve que gotejar raciocínio em água salgada
escorrendo em seus poros e orifícios.

sem soluços

novamente a voz:
IDIOTA


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